sexta-feira, abril 30, 2004

Dúvida existencial após uma noite mal dormida:

A promiscuidade sexual estará de algum modo ligada à promiscuidade intelectual?

quinta-feira, abril 29, 2004

Roma está mais perto.... já sinto o cheiro do Coliseu!

segunda-feira, abril 26, 2004

Abril é R evolução!!!!!


Não podia manter-me por mais tempo sem dizer qualquer coisa dos polémicos cartazes comemorativos do 25 de Abril. Como ontem não tive tempo, porque participei nas comemorações da cidade, decidi hoje expressr aqui a minha opinião.
Tentar disfarçar ou amolecer a declarada intenção revolucionária que esteve por detrás do movimento dos capitães é algo no mínimo insólito. Seguindo o ponto de vista do actual governo poderiamos reescrever a História de Portugal e eliminar as revoluções "non gratas" ao governo do Paulinho e companhia ( isto quer dizer que o 28 de maio de 1926 foi uma Revolução, claro! Então aqueles bons militares só procuravam livrar-nos da instabilidade política e nada mais. Queriam lá eles ficar agarrados ao poder, tss tss!). Sendo assim, temos ao longo da nossa história de mansidão, de povo de brandos costumes uma Evolução de 1383/85, uma Evolução de 1640, uma Evolução liberal (aquilo da Guerra Civil deve ter sido um boato mal intencionado dos esquerdistas da altura!),uma Evolução Republicana and so on, and so on... Só me resta dizer em bom português: " Con'ta os cab'ões, ma'char, ma'char!"


domingo, abril 25, 2004

ABRIL

O "tempo da frol" é Hoje:

Maio mudou-se em Abril

E a treva da ditadura

Floresceu cravo vermelho

Em manhã de Liberdade!


VIVA O 25 DE ABRIL!!

terça-feira, abril 20, 2004

Para vós, que ides neste barco comigo:




Couraçado Potemkin

(depois de ver o filme de Eisenstein)


Entre a esquadra que aclama
o couraçado passa.
Depois da fila interminável que se alonga
sobre o molhe recurvo na água parda,
depois do carro de criança
descendo a escadaria, e da mulher de lunetas que abre a boca em gritos mudos,
o couraçado passa.
A caminho da eternidade. Mas
foi isso há muito tempo, no Mar Negro.

Nos cais do mundo, olhando o horizonte,
as multidões dispersas
esperam ver surgir as chaminés antigas,
aquele bojo de aço e ferro velho.
Como os vermes na carne podre que
os marinheiros não quiseram comer,
acotovelam-se sórdidas na sua miséria,
esperando o couraçado.

Uns morrem, outros vendem-se,
outros conformam-se e esquecem e outros são
assassinados, torturados, presos.
Ás vezes a polícia passa entre as multidões,
e leva alguns nos carros celulares.

Mas há sempre outra gente olhando os longes,
a ver se o fumo sobre na distância e vem
trazendo até ao cais o couraçado.

Como ele tarda. Como se demora. A
multidão nem mesmo sonha já
que o couraçado passe
entre a esquadra que aclama.
Apenas, com firmeza, com paciência, aguarda
que o couraçado volte do cruzeiro,
venha atracar no cais.

Mas mesmo que ninguém o aguarde já,
o couraçado há-de chegar. Não há
remédio, fugas, rezas, esconjuros
que possam impedi-lo de atracar.

Há-de vir e virá. Tenho a certeza
como de nada. O couraçado
virá e passará
entre a esquadra que o aclama.

Partiu há muito tempo. Era em Odessa,
no Mar Negro. Deu a volta ao mundo.
o mundo é vasto e vário e dividido, e os mares
são largos.
Fechem os olhos,
cerrem fileiras,
o couraçado vem.


Jorge de Sena

Sabem aquela:

"O tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem
o tempo respondeu
que o tempo tem
tanto tempo
quanto tempo
o tempo tem"?

Pois eu também acho que toda a gente conhece, excepto o São Tomás! Se conhecesse este profundissimo dito português, pérola da nossa metafísica, em vez de ter escrito o De Eternitate Mundi, tinha mas é gasto o seu tempo em grandes jantaradas com o pessoal lá da Universidade de Paris!!

sexta-feira, abril 09, 2004

Eles partem o mundo, mas não nos importamos

Isto de criar um blog numa Sexta-feira Santa tem que se lhe diga! Ainda mais um blog dedicado aos pequenos pecados. Está bem que são pequenos. Está bem que nem sequer nos condenam a danação eterna, mas são eles que nos apimentam a vida e nos tornam mais humanos.
Talvez marcada por este opressivo ambiente religioso e como "no princípio era o verbo", vou começar por aí. Fiquem com Boris Vian, que se não é divino, anda por lá perto!



Eles partem o mundo
Aos bocadinhos
Eles partem o mundo
À martelada
Mas pra mim é igual
Pra mim é igual
Ainda sobra muito para mim
Ainda sobra muito
Basta que eu ame
Uma pluma azul
Um caminho de areia
Um pássaro tímido
Basta que eu ame
Um ramo de erva fina
Uma gota de orvalho
Um grilo dos bosques
Podem partir o mundo
Aos bocadinhos
Ainda sobra muito para mim
Ainda sobra muito
Terei sempre um pouco de ar
Um pequeno fio de vida
Um pouco de luz o olhar
E vento nas urtigas
E mesmo e mesmo
Se me meterem na prisão
Ainda sobra muito para mim
Ainda sobra muito
Basta que eu ame
Esta pedra corroida
Estes ganchos de ferro
Onde o sangue se demora
Amo-o amo-o
A prancha gasta da minha cama
O colchao de palha e o catre
A poeira de sol
O ralo que se abre
Os homens que entraram
Que me avançam e me levam
Ao encontro da vida do mundo
E ao encontro da cor
Amo estes dois montentes
Esta faca triangular
Estes senhores vestidos de preto
É a minha festa e orgulho-e dela
Amo-a amo-a
Este cesto cheio de serradura
Onde vou pousar a cabeça
Oh amo-o a valer
Basta que eu ame
Uma pequena haste de erva azul
Uma gota de orvalho
Um amor de pássaros tímidos
Eles partem o mundo
Com os seus pesados martelos
Ainda fica muito para mim
Ainda fica muito meu coração.


Boris Vian