Maduro Maio
Eis-me de volta à postagem. Para gáudio de alguns ou para tristeza de muitos, resolvi hoje meter mãos à obra e alinhavar mais uns quantos ditos sem-graça, muito pseudo, muito verborreicos. Hoje vou falar um pouco do último filme que vi, "Os Sonhadores" de Bertolucci. O filme trata essencialmente das estranhas relações entre dois irmãos siameses (ò Vanitas, o gajo é o Mariani dos Juncos Silvestres!!). Sendo assim, vou percebendo em parte o que se passava na cabeça daquela moça de boina (e não só) vermelha!!) e um terceiro elemento, "um americano em Paris", por alturas do Maio de 68.
Não sei se a intenção do realizador seria dar alguma perspectiva que seja sobre esse belo acontecimento (permitam-me este juizo de valor tão proibido ao critico isento, mas tão necessário a quem gosta de gostar das coisas), mas o Maio de 68 funciona apenas como pano de fundo para a tessitura de toques, sentimentos e sexo que se vai construindo ao longo do filme. Qualquer outro acontecimento conturbado seria passível de ser abordado do mesmo modo, porque a construção do enredo do filme se faz a partir do interior das personagens, de dentro para fora (quem viu o filme, por favor não tente ver nisto um duplo sentido!!) e não do exterior. Paralelamente a toda a relação sentimental e sexual que se vai estabelecendo entre as personagens, estabelece-se também uma relação entre os três vértices do triângulo e o cinema, quase como se este funcionasse como centro à volta do qual se relacionam os membros desta tríade. É o código cinematográfico que começa por unir os dois irmãos e Matthew. "Os Sonhadores" talvez aponte (penso eu agora no rescaldo) para um paralelismo entre o tipo de relações sentimentais de carácter incestuoso que se vão criando entre os dois irmãos, e a utopia que subjaz a todo o ideal revolucionário. Ambas resultam uma relutância em crescer, mas a recusa de abandonar a idade juvenil em favor da idade adulta não deve ser, neste caso, entendida como um ato imaturo, mas conscientemente pensado. É, no entanto, um modo de vida que não consegue estabelecer-se plenamente. Talvez porque aceitação desse ideal como forma instituicionalidade de vida implique sempre um statu quo que não se coaduna ao sonho. Talvez porque para sonhar seja preciso manter uma certa ingenuidade própria de uma certa imaturidade.
Não sei se a intenção do realizador seria dar alguma perspectiva que seja sobre esse belo acontecimento (permitam-me este juizo de valor tão proibido ao critico isento, mas tão necessário a quem gosta de gostar das coisas), mas o Maio de 68 funciona apenas como pano de fundo para a tessitura de toques, sentimentos e sexo que se vai construindo ao longo do filme. Qualquer outro acontecimento conturbado seria passível de ser abordado do mesmo modo, porque a construção do enredo do filme se faz a partir do interior das personagens, de dentro para fora (quem viu o filme, por favor não tente ver nisto um duplo sentido!!) e não do exterior. Paralelamente a toda a relação sentimental e sexual que se vai estabelecendo entre as personagens, estabelece-se também uma relação entre os três vértices do triângulo e o cinema, quase como se este funcionasse como centro à volta do qual se relacionam os membros desta tríade. É o código cinematográfico que começa por unir os dois irmãos e Matthew. "Os Sonhadores" talvez aponte (penso eu agora no rescaldo) para um paralelismo entre o tipo de relações sentimentais de carácter incestuoso que se vão criando entre os dois irmãos, e a utopia que subjaz a todo o ideal revolucionário. Ambas resultam uma relutância em crescer, mas a recusa de abandonar a idade juvenil em favor da idade adulta não deve ser, neste caso, entendida como um ato imaturo, mas conscientemente pensado. É, no entanto, um modo de vida que não consegue estabelecer-se plenamente. Talvez porque aceitação desse ideal como forma instituicionalidade de vida implique sempre um statu quo que não se coaduna ao sonho. Talvez porque para sonhar seja preciso manter uma certa ingenuidade própria de uma certa imaturidade.

