quinta-feira, dezembro 11, 2008


terça-feira, julho 12, 2005

Garagens


quarta-feira, dezembro 01, 2004

o governo caiu.... viva o governo (o proximo)

Agora que estou prestes a regressar, o meu belo pais, certamente por gostar tanto de mim, resolve presentear-me com uma coisa destas: Agora sim, tenho boas razoes para querer viver em Portugal. VIVA!

sexta-feira, novembro 26, 2004

de Roma... Derrida

Ola meus caros e fidelissimos leitores:


Na cidade eterna (demora de facto uma eternidade chegar onde quer que seja), tenho tido por leitura este senhor frances. Correndo o risco de dizer uma barbaridade, estar aqui deu-me vontade de melhorar o meu... frances. quanto ao italiano, là irà... piano, piano. aqui vai um excerto de "Feu la Cendre":

"-J'avais d'abord imaginé pour ma part que cendre était là, non pas ici masi là comme l'histoire à raconter: la cendre ce vieux mot gris, ce thème poussiéreux de l'humanité, l'image immémoriale s'etait d'elle-meme déecomposée, méthaphore ou méthonymie de soi, tel est le destin de toute cendre de cendre. Qui oserait encore se risquer au poéme de la cendre? Le mot de cendre, on reverait qu'il fut: lui-meme une cendre en ce sens, là, là-bas, éloigné dans le passé, mémoire perdue pour ce qui n'est plus d'ici. Et par là, sa phrase aurait voulu dire, sans rien garder: la cendre n'est plus ici. Y fut-elle jamais?"

da Roma saluti a tutti!

segunda-feira, setembro 27, 2004

Maiêutica

E o Socrátes lá ganhou... lá vai parir uma esquerda de terceia via( ou viela) daquele género que o toni do Tony Blair nos legou. Eu cá ainda acreditava na antiga... mas pronto, tenho um fraco por utopias.

sexta-feira, setembro 24, 2004

Coração Azul

No fim de semana passado recebi aqui na Invicta uma visita que para além de muitas outras coisas boas me deu a conhecer a poesia de Manuel de Freitas. Pois bem, desde então não tenho feito outra coisa (deveria era enredar-me nas traduções do Santo Agostinho que me compram 15 dias de férias em Roma) senão devorar o Manuel de Freitas. Há já muito tempo que não lia um poeta português de quem gostasse tanto. Para ser mais concreta, estou apaixonadissima: eis mais um affair literário que está para durar. E não resisto em compartilhar convosco um dos seus poemas que têm feito as minhas delicías verbais nos últimos dias. Foi dificil a escolha e ainda não é pacífica, mas seria complicado postear livros interiros. De qualquer modo um poema vale mais do que qualquer coisa que eu possa dizer. Obrigada, Victor, pelo presente maravilhoso!
1685-1750
1.
Acabamos sempre assim, esquecidos
ou lembrados entre a poeira de duas datas.
Foram anos, esses, de extrema
devoção à única das artes.
Só é pena que hoje me doa tanto
o testículo direito, a vista cansada
do mundo. Arnstadt, Weimar, Leipzig
-as cidades do Senhor
uniam-se no crime da pefeição
e não há, para isso, palavras.
Como se não bastasse o génio,
povou a terra de filhos virtuosos:
o inventor da ternura romântica;
o baptista de Amadeus; aquele outro ainda
que a tristeza e o álcool incesnsaram.
mas nenhum desses (ou dos mais)
esteve alguma vez tão próximo do
infigurável absurdo a que chamamos Deus.
II
São dias de extermínio, agora.
O punhal das horas já não
cede ao alaúde nem ao cravo torturado
pela mudez. Repugnam-me simplesmente
estes dias devagar e não sei com que letras
se escreve nunca mais o nome do amor
(deixaei de confiar a alma a um celeiro podre).
Quando a música de um homem assim
não consegue demover-nos da angústia,
percebemos que a vida é morte
-impossíveis os gestos, as fugas, os desejos.
Amanhece e eu não. O sono deixou-se
pousar ao lado do livro que não pude ler
e mesmo o que escrevi sobre a morte,
embora exacto, era afinal aproximativo.
Sou agora plenamente o meu cadáver.
ofereço-lhe um cigarro, o que sobra
de cerveja, a memória das cantatas
que me salvaram do tédio, do suicídio
e de mim próprio. Talvez seja um sentido,
uma ânsia de dissipação que encontrou
o seu termo moral, espiritual, orgânico.
Não sei.
Todas as palavras se tornaram para o sangue
uma mesma mentira, entre o exorcismo
e a ameaça. No fundo, a dizer havia apenas
isto: a luz que explode na janela
já não encontra corpo nem vontade.
 
in [Sic]

quarta-feira, setembro 15, 2004

boas vindas

Olá caros amigos:


Este post tem como única função dar as boas vindas ao nosso novo membro de quem esperamos ansiosamente o primeiro post. Cara amiga, espero que goste de trabalhar comnosco.


encaixotada

confesso que estou só a experimentar a novidade deste meio de expressão tão moderno a que me alheava insistentemente!...mas estava a pensar...
estou sentada de frente para uma janela, a uma hora em que normalmente tudo à nossa volta se torna confortavelmente apaziguador mas...
nada mais consolador do que o candeeiro que está pendurado mesmo em cima da minha cabeça, e que existe bem real na superfície do vidro e uma jarra de flores amarelas (das minhas preferidas, parecem malmequeres a quem alguém se deu ao trabalho de enrolar cada pétala) que nem sequer vejo reflectida: são os meus olhos que regressam deseperados (estou a ser dramática, pronto), desconsolados com o embate numa massa incaracterística a que se reduz a bela da paisagem!
não percebo...tanta sofisticação, ele é a tecnologia de ponta, a fibra digital, ele é a viagem virtual, a videoconferência...e a terra, a bem dita terra a que se volta sempre, no mater what, tá cada vez pior (sendo que terra é a variável em questão!)
pronto, era só para experimentar, mas insisto ainda...está tudo cada vez mais cinzento à nossa volta, são cenários homogéneos, seriais e mal amados

Disponivel para...Subtilezas

Tenho andado a repor no meu cinema (isto é, no meu PC) alguns filmes incontornáveis, daqueles cujo não visionamento tem como consequência um bilhete directo para o Inferno. Sim, já fui vaiada por nunca ter visto o "Magnólia", uma fatwa pende sobre a minha pobre cabeça por o "Bom, o Mau e o Vilão" não constar na linha lista de filmes já vistos e já me disseram que não mereço viver enquanto não tiver visto o Fellini completo. Comecei a pouco e pouco a tentar liberta-me deste fardo e comecei por me estrear no Fellini com o "Roma". A exuberância da estética felliniana, o expressionismo das caras que compõem o filme deixarei para outra altura. Vim falar de subtileza, e o Roma é para mim um filme forte, agressivo, de contrastes, ruidoso, em suma, não é um filme tímido. Ora não querendo confundir alhos com bugalhos e portanto subtileza com timidez, quero no entanto pôr a tónica em filmes de estética mais comedida, onde o dito se revela no não-dito, e a subtileza se trasforma num fio narrativo tão importante como a própria história. Falo em concreto do filme de Wong Kar-Wai, "Disponível para Amar", que também foi uma das minhas grandes lacunas cinematográficas até ontem à noite, lacuna essa que já me provocava suores frios e repetidas noites de insónia. Depois de ter visto o filme, só posso mesmo é dar com a cabeça na parede e questionar-me com o inevitável "mas porque não vi eu isto mais cedo??" O filme é belíssimo. Uma fotografia de cortar a respiração, de nos querer deixar suspensos na imagem. A história? Poderia ser considerada banal: dois vizinhos descobrem que os seus conjuges tem um caso. Essa traição de que são vítimas cria uma aproximação entre os dois traídos, uma cumplicidade que vai até... nunca sabemos bem. É essa subtileza que me fascina: nada é explicito no filme, não há um único beijo, apenas olhares, olhares que pulsam de energia, que trasbordam de significado e que se dissimulam habilmente por detrás de conversas banais, em situações de encontros fortuitos. A câmara lenta que o realizador usa para focar momentos chave tendo como condutora não um diálogo mas a música, transforma esta última numa quase-personagem. Nada é dito, tudo é pressentido. Wong Kar-Wai usa a subtileza como meio para nos submeter ao domínio da Possibilidade: é o espectador tem liberdade para se mover e concluir (ou não) sobre o que realmente assistiu. Estou disponível para ver e rever.